Reflexão
(Mar 2003) - A Confissão de um cientista
"A
opinião comum de que sou ateu repousa sobre grave erro.
Quem a pretende deduzir de minhas teorias científicas
não as entendeu. Creio em um Deus pessoal e posso dizer
que nunca em minha vida cedi a uma ideologia atéia. Não
há oposição entre ciência e religião.
Apenas há cientistas atrasados que professam idéias
que datam de 1880.
Aos
18 anos, eu já considerava as teorias sobre o evolucionismo
mecanicista e casualista como irremediavelmente antiquadas.
No interior do átomo não reinam a harmonia e a
regularidade que estes cientistas costumam pressupor. Nele se
depreendem apenas leis prováveis, formuladas na base
de estatísticas reformáveis. Ora, essa indeterminação
no plano da matéria, abre lugar à intervenção
de uma causa que produza o equilíbrio e a harmonia dessas
reações dessemelhantes e contraditórias
da matéria.
Há,
porém, várias maneiras de se representar Deus.
Alguns o representam como o Deus mecânico, que
intervem no mundo para modificar as leis da natureza e o curso
dos acontecimentos. Querem pô-lo a seu serviço,
por meio de fórmulas mágicas. É o Deus
de certos primitivos, antigos ou modernos. Outros o representam
como o Deus jurídico, legislador e agente policial
da moralidade que impõe o medo e estabelece distâncias.
Outros, enfim, como o Deus interior, que dirige por dentro
todas as coisas e que se revela aos homens no mais íntimo
da consciência.
A
mais bela e profunda emoção que se pode experimentar
é a sensação do místico. Este é
o semeador da verdadeira ciência. Aquele a quem seja estranha
tal sensação, aquele que não mais possa
devanear e ser empolgado pelo encantamento, não passa,
em verdade, de um morto.
Saber
que realmente existe aquilo que, impenetrável à
nós, e que se manifesta como a mais alta das sabedorias
e a mais radiosa das belezas, que as nossas faculdades embotadas
só podem entender em suas formas mais primitivas, esse
conhecimento, esse sentimento está no centro mesmo da
verdadeira religiosidade.
A
experiência cósmica religiosa é a mais forte
e a mais nobre fonte de pesquisa científica. Minha religião
consiste em humilde admiração do espírito
superior e ilimitado que se revela nos menores detalhes que
podemos perceber em nossos espíritos frágeis e
incertos. Essa convicção, profundamente emocional
na presença de um poder racionalmente superior, que se
revela no incompreensível universo, é a idéia
que faço de Deus."
Albert
Einstein (1879-1955)